
O Aikido é uma arte marcial criada por Morihei Ueshiba, (O Sensei), no Japão, a partir de 1925, com o nome de Aikijujutsu e que oficialmente passou a ser chamada de Aikido em 1948. As silabas que formam a palavra têm significados isoladamente: Ai (significa harmonia), Ki (energia), Do (caminho).
Portanto podemos interpretar a palavra Aikido da seguinte forma: o caminho através do qual se opera a harmonização da energia interna ou espiritual. Em outras palavras, é a arte marcial da paz, a arte marcial do amor. Diferentemente de outras práticas marciais, o Aikido caracteriza-se por desenvolver-se através de movimentos circulares, esféricos, que lhe dão, ao mesmo tempo, a beleza estética de uma dança, a suavidade da prática tai-chi e a força de um furacão. Os movimentos do Aikido são um reflexo dos movimentos da natureza. O praticante gira em torno do próprio centro (movimento de rotação) e em torno do parceiro com quem pratica (translação) tal como se verifica no macrocosmos (os planetas em suas órbitas) e no microcosmos (na relação entre os átomos e seus elétrons). É a mesma circularidade presente no movimento dos ventos, dos mares, etc. Essa mesma esfericidade se observa no movimento das mãos que reproduzem o movimento das espadas e das lanças usadas pelos antigos samurais. Aliás, no Aikido, também se usam armas: o boken (espada de madeira) e o Jô (bastão longo de madeira).
Outra característica que lhe é peculiar é a ausência de competição que, segundo seu criador, alimenta o ego do vencedor e esvazia a do perdedor, provoca o ciúme, a inveja, a mágoa, a vaidade, a presunção, paixões que roubam do homem a harmonia consigo e com os outros.
A energia, que flui pelo corpo do praticante enquanto se treina, fura os bloqueios físicos e pulveriza os bloqueios mentais. As imobilizações fortalecem as juntas e as quedas massageiam os órgãos internos. Aos poucos o praticante vai sentindo as mudanças que se operam nos planos físico e mental.
As pessoas que treinam se expõem, aprendem a cair e a levantar, ganham disciplina, aguçam a sensibilidade de perceber e respeitar os próprios limites e os de seus companheiros, como exige de nós a vida nas relações que mantemos com nós mesmos e com a sociedade da qual fazemos parte. Enfim, o Aikido não é outra coisa senão fruto de uma inspiração divina, conforme afirmava o próprio O Sensei.